SPREAD LOVE: ModaLisboa 20 YEARS
Moda Lisboa - Especial:
Pedro Pedro
O dia já ia avançado, quando a 3ª colecção de Pedro Pedro a solo subiu à passerelle. A sala estava bem mais cheia (talvez dos banhistas que passaram o dia na praia), e a primeira e a segunda fila foram presenteadas com uma papoila artificial e inúmeras amostras de perfume e cremes, tanto masculinos como femininos.
Os atrasos já se faziam sentir na paciência de quem já passou muitas horas no recinto. Apesar de todo este “glamour” à volta da Moda Lisboa são 4 dias extremamente cansativos, principalmente para quem está cobrir os desfiles ou a trabalhar na organização.
Mas voltando ao mais importante...o desfile.
Descolando-se do clássico, Pedro Pedro exibiu uma colecção recheada de silhuetas ecléticas, num misto arrojado e inesperado dos mais diversos materiais e padrões.
Do pêlo às malhas, passando pelas lãs, diversos padrões tweed e patchwork – a colecção destacou-se pelas calças curtas, golas exageradas, coletes em pelo, collants estampados, mochilas de pele, cocoons, mistura de padrões, folhos e tecidos fluidos – numa paleta de brancos, pretos, castanhos e cinzas algo sombrios.
Reinventando os excessos do filme “Os Olhos de Laura Mars” – o criador, fundiu o glam e o sexy sob o signo do humor – numa colecção exclusivamente feminina - originando looks de inspiração 70’s muito elegantes e glamourosos.
Moda Lisboa - Especial:
Mais uma vez a tocar no tema crise, Pedro Mourão patenteou-nos com uma colecção assente em cortes e blocos de rigor arquitectónico da Bauhaus (escola alemã dos anos 30) - anarquizados na reinterpretação do negro - numa narração urbana, distinta e sumptuosa, marcada pelo símbolo da mosca e elementos hípicos.
A mosca, insecto de grande resistência, é vista nesta perspectiva: como o animal que resiste aos tempos de crise – uma sobrevivente.
Numa dicotomia descomplexada, misturam-se luzes e sombras, elementos masculinos e femininos, num jogo de cortes curtos e compridos – em tons brilhantes e mate.
Com novas proporções, referências retro e uma enorme preocupação estética – esta colecção, pautada pelo signo do encarnado (como símbolo do fogo, esperança, luta e persistência), tem o intuito de inebriar as pessoas, ajudando-as a superar os momentos menos bons, tornando-as mais optimistas.
Moda Lisboa - Especial:
Finalmente chegou o dia mais esperado da Moda Lisboa. E não o digo pelo Custo Barcelona ou pelo Felipe Faísca – digo-o pela Katty Xiomara, que é de longe a minha designer preferida. As roupas dela são simples, jovens e sofisticadas – vejo-me a vestir, uma e cada uma das peças, vezes sem conta. Ela é simplesmente brilhante.
Acordei cedo, tentei actualizar o blog o mais possível, tomei banho, vesti-me, esperei pela minha amiga (ok, ela esperou um bocadinho por mim) e fomos a voar, literalmente, para Cascais – se me tivessem apanhado...tinha ficado sem carta.
Chegamos à Baía de Cascais a horas. Estava um calor descomunal, milhares de pessoas a ir para a praia e lugares, nem vê-los...encontrei um daqueles de lado e à esquerda (já alguma vez mencionei que sou um zero à esquerda a estacionar?). O que vale é que a minha amiga e mais dois rapazes simpáticos, que tinham acabado de estacionar, ajudaram-me a fazê-lo, e com sucesso – é que estava mesmo, mesmo quase a desistir!
Finalmente chegamos ao recinto, fomos direitinhas à sala do desfile, ainda estávamos a tempo...
O desfile começou - a música de feira, circos e carrosséis antigos encheu a sala, criando uma certa expectativa. Ainda meio atordoadas e deslumbradas pelos primeiros coordenados, damo-nos conta que a música mudou - a melodia típica de caixinha de música antiga, transformou-se numa batida bem mais actual, tão actual, que diria mesmo acabadinha de sair do mais recente CD, de uma das minhas cantoras preferidas - a irreverente Lily Allen. O que não podia ser mais adequado - estilista preferida com banda sonora perfeita – o resultado? -Só poderia ser uma colecção surpreendente, despretensiosa e genial.
Ao som de fuck you so much, passaram pela passerelle inúmeros mini-vestidos (a minha peça de roupa de eleição, logo a seguir aos jeans), mini-saias cintadas, camisas, boleros, casacos, calças largas de cintura subida – com folhos, tranças, laços, transparências, rendas, estampados retro, às riscas, com volumes, tecidos fluidos, cinturas marcadas, ombros definidos e peças estruturadas – numa palete de tons metalizados e envelhecidos – do malva ao bordou, passando pelos cinzas, rosas e castanhos.
Em suma, uma colecção fantástica que em nada ficou a dever às minhas expectativas – que eram bem altas.
fotos by Hemna.
Moda Lisboa - Especial:
Moda Lisboa - Especial:
Inspirado nas temperaturas e paisagens gélidas do Norte Europeu, este conceituado veterano da moda portuguesa, patenteou-nos com uma colecção de silhuetas anatómicas, trabalhadas segundo formas minimais – numa paleta de cores frias – onde predominaram os brancos, cinzas e dégradè de azuis.
Na sua colecção para a Jotex, Buchinho, ostentou uma linha mais casual, confortável e feminina, toda ela, 100% tricotada em diferentes jogos de fios de lã e detalhes em Lurex.
Já a sua colecção Luís Buchinho, evidenciou-se mais a nível formal, através das modelagens elaboradas, silhuetas ovaladas, volumes trabalhados, ombros exagerados e decorações complexas.
Desfilada por verdadeiras Ice Queens, esta dupla colecção distinguiu-se pelas fabulosas malhas em matérias-primas inovadoras e pelos moldes arrojados.
Moda Lisboa - Especial:
Nuno Baltazar
Intitulada “La Bohéme”, esta colecção reflecte a vida da Marquesa de Jácome Correia, de seu nome Margarida Victória – uma mulher muito à frente do seu tempo que teve de lidar com as imposições e o estoicismo de uma sociedade e época assaz conservadoras.
Nascida e criada nos Açores, sob uma educação extremamente austera, foi através das suas viagens e paixões que conseguiu dar a volta às imposições de outrora e alcançar alguns dos seus sonhos, liberdade e independência.
Inspirando-se na vida deste maravilhoso exemplo da espécime feminina, Nuno Baltazar dá vida a uma colecção que se divide em três períodos distintos. Períodos esses que correspondem a três locais onde Margarida viveu – S. Miguel, Lisboa e Paris.
A colecção vai ficando cada vez mais exuberante em termos de cor e mais ousada e feminina em termos de detalhes à medida que se vão passando esses três ambientes.
A primeira parte da colecção corresponde a S. Miguel, sendo por isso mais sóbria, estruturada e austera.
A segunda parte corresponde a Lisboa, as cores tornam-se mais claras e os tecidos e as formas começam a ganhar alguma leveza, modernidade e sofisticação.
Na última parte do desfile - que pertence ao período em que a Marquesa viveu em Paris - assiste-se a uma explosão de cor, uma exuberância-chique muito feminina e cosmopolita, repleta de um romantismo quase exótico.
Moda Lisboa - Especial:
Marcada por um regresso ao pragmatismo no vestuário feminino, mas sem com isso perder criatividade ou sofisticação, esta colecção divide-se em 3 partes: Uma primeira parte com materiais mais ricos e justos ao corpo, uma segunda mais oversized com apontamentos muito femininos como as rendas, e por fim, uma terceira onde a estrutura é trocada por peças longas, super femininas e fluídas.
Pautado por peças elegantes, modernas e bonitas - este desfile primou pela sofisticação simples onde "less is always more".












