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SPREAD LOVE: ModaLisboa 20 YEARS


De 10 a 13 de Março, o Pátio da Galé (no Terreiro do Paço) e o MUDE voltam a ser palco da Moda Nacional, que apresenta as novas propostas para o Outono-Inverno 2011/12.

Esta edição contudo, tem um sabor especial, uma vez que a ModaLisboa comemora o seu 20º aniversário “de coração ao alto”.

Foram 20 anos a apostar e a fazer crescer o que de melhor se faz em Portugal no âmbito da moda, fotografia, design gráfico, arquitectura, música, entre outras disciplinas criativas que rodeiam e complementam a indústria da moda.

“Cada um ensaiou uma linguagem própria, afirmou o seu próprio estilo, encontrou o seu público e segmento de mercado, construiu metodologias para o seu trabalho e tornou-se um exemplo para as novas gerações.” Eduarda Abbondanza

LET’S CELEBRATE!



Photobucket

Moda Lisboa - Especial:

“ OUT OF CONTROL”

Pedro Pedro

O dia já ia avançado, quando a 3ª colecção de Pedro Pedro a solo
subiu à passerelle. A sala estava bem mais cheia (talvez dos banhistas que passaram o dia na praia), e a primeira e a segunda fila foram presenteadas com uma papoila artificial e inúmeras amostras de perfume e cremes, tanto masculinos como femininos.


Os atrasos já se faziam sentir na paciência de quem já passou muitas horas no recinto. Apesar de todo este “glamour” à volta da Moda Lisboa são 4 dias extremamente cansativos, principalmente para quem está cobrir os desfiles ou a trabalhar na organização.



Mas voltando ao mais importante...o desfile.




Descolando-se do clássico, Pedro Pedro exibiu uma colecção recheada de silhuetas ecléticas, num misto arrojado e inesperado dos mais diversos materiais e padrões.



Do pêlo às malhas, passando pelas lãs, diversos padrões tweed e patchwork – a colecção destacou-se pelas calças curtas, golas exageradas, coletes em pelo, collants estampados, mochilas de pele, cocoons, mistura de padrões, folhos e tecidos fluidos – numa paleta de brancos, pretos, castanhos e cinzas algo sombrios.



Reinventando os excessos do filme “Os Olhos de Laura Mars” – o criador, fundiu o glam e o sexy sob o signo do humor – numa colecção exclusivamente feminina - originando looks de inspiração 70’s muito elegantes e glamourosos.

Moda Lisboa - Especial:

"Criar com alma e com estilo."



Pedro Mourão


Neste desfile, quase exclusivamente masculino, as palavras de ordem foram: rigor da Bauhaus, clubes de equitação e preocupação estética.



Mais uma vez a tocar no tema crise, Pedro Mourão patenteou-nos com uma colecção assente em cortes e blocos de rigor arquitectónico da Bauhaus (escola alemã dos anos 30) - anarquizados na reinterpretação do negro - numa narração urbana, distinta e sumptuosa, marcada pelo símbolo da mosca e elementos hípicos.


A mosca, insecto de grande resistência, é vista nesta perspectiva: como o animal que resiste aos tempos de crise – uma sobrevivente.



Numa dicotomia descomplexada, misturam-se luzes e sombras, elementos masculinos e femininos, num jogo de cortes curtos e compridos – em tons brilhantes e mate.




Com novas proporções, referências retro e uma enorme preocupação estética – esta colecção, pautada pelo signo do encarnado (como símbolo do fogo, esperança, luta e persistência), tem o intuito de inebriar as pessoas, ajudando-as a superar os momentos menos bons, tornando-as mais optimistas.







Este desfile contou com a participação especial de Sofia Cerdeira e Matilde Stilwell (campeã de equitação).
fotos by Hemna

Moda Lisboa - Especial:

Katty Xiomara


Finalmente chegou o dia mais esperado da Moda Lisboa. E não o digo pelo Custo Barcelona ou pelo Felipe Faísca – digo-o pela Katty Xiomara, que é de longe a minha designer preferida. As roupas dela são simples, jovens e sofisticadas – vejo-me a vestir, uma e cada uma das peças, vezes sem conta. Ela é simplesmente brilhante.



Acordei cedo, tentei actualizar o blog o mais possível, tomei banho, vesti-me, esperei pela minha amiga (ok, ela esperou um bocadinho por mim) e fomos a voar, literalmente, para Cascais – se me tivessem apanhado...tinha ficado sem carta.



Chegamos à Baía de Cascais a horas. Estava um calor descomunal, milhares de pessoas a ir para a praia e lugares, nem vê-los...encontrei um daqueles de lado e à esquerda (já alguma vez mencionei que sou um zero à esquerda a estacionar?). O que vale é que a minha amiga e mais dois rapazes simpáticos, que tinham acabado de estacionar, ajudaram-me a fazê-lo, e com sucesso – é que estava mesmo, mesmo quase a desistir!



Finalmente chegamos ao recinto, fomos direitinhas à sala do desfile, ainda estávamos a tempo...



O desfile começou - a música de feira, circos e carrosséis antigos encheu a sala, criando uma certa expectativa. Ainda meio atordoadas e deslumbradas pelos primeiros coordenados, damo-nos conta que a música mudou - a melodia típica de caixinha de música antiga, transformou-se numa batida bem mais actual, tão actual, que diria mesmo acabadinha de sair do mais recente CD, de uma das minhas cantoras preferidas - a irreverente Lily Allen. O que não podia ser mais adequado -
estilista preferida com banda sonora perfeita – o resultado? -Só poderia ser uma colecção surpreendente, despretensiosa e genial.



Ao som de fuck you so much, passaram pela passerelle inúmeros mini-vestidos (a minha peça de roupa de eleição, logo a seguir aos jeans), mini-saias cintadas, camisas, boleros, casacos, calças largas de cintura subida – com folhos, tranças, laços, transparências, rendas, estampados retro, às riscas, com volumes, tecidos fluidos, cinturas marcadas, ombros definidos e peças estruturadas – numa palete de tons metalizados e envelhecidos – do malva ao bordou, passando pelos cinzas, rosas e castanhos.




Em suma, uma colecção fantástica que em nada ficou a dever às minhas expectativas – que eram bem altas.




fotos by Hemna.

Moda Lisboa - Especial:

LOOKS DAY THREE:



Carine Lucas - Assistente da Imprensa Internacional



Jornalistas Internacionais

Andreia - Assistente da Imprensa Nacional

(dir-esq) Inês Folque, Teresa Street e uma amiga

Um fashionista

Inês Soares (Inê's Secrets) e eu.

Moda Lisboa - Especial:

Luís Buchinho e Jotex by Luís Buchinho


Luís Buchinho fechou o terceiro dia, brindando-nos com duas colecções distintas – Luís Buchinho e Jotex by Luís Buchinho – unidas pelo mesmo tema e dirigidas à mesma mulher: dinâmica, moderna e cool.


Inspirado nas temperaturas e paisagens gélidas do Norte Europeu, este conceituado veterano da moda portuguesa, patenteou-nos com uma colecção de silhuetas anatómicas, trabalhadas segundo formas minimais – numa paleta de cores frias – onde predominaram os brancos, cinzas e dégradè de azuis.



Na sua colecção para a Jotex, Buchinho, ostentou uma linha mais casual, confortável e feminina, toda ela, 100% tricotada em diferentes jogos de fios de lã e detalhes em Lurex.

Já a sua colecção Luís Buchinho, evidenciou-se mais a nível formal, através das modelagens elaboradas, silhuetas ovaladas, volumes trabalhados, ombros exagerados e decorações complexas.



Desfilada por verdadeiras Ice Queens, esta dupla colecção distinguiu-se pelas fabulosas malhas em matérias-primas inovadoras e pelos moldes arrojados.

Moda Lisboa - Especial:

“La Bohéme”

Nuno Baltazar


Já quase no fim do terceiro dia é a vez de Nuno Baltazar apresentar as suas propostas para o Outono/Inverno que se seguem.

Intitulada “La Bohéme”, esta colecção reflecte a vida da Marquesa de Jácome Correia, de seu nome Margarida Victória – uma mulher muito à frente do seu tempo que teve de lidar com as imposições e o estoicismo de uma sociedade e época assaz conservadoras.





Nascida e criada nos Açores, sob uma educação extremamente austera, foi através das suas viagens e paixões que conseguiu dar a volta às imposições de outrora e alcançar alguns dos seus sonhos, liberdade e independência.





Inspirando-se na vida deste maravilhoso exemplo da espécime feminina, Nuno Baltazar dá vida a uma colecção que se divide em três períodos distintos. Períodos esses que correspondem a três locais onde Margarida viveu – S. Miguel, Lisboa e Paris.






A colecção vai ficando cada vez mais exuberante em termos de cor e mais ousada e feminina em termos de detalhes à medida que se vão passando esses três ambientes.





A primeira parte da colecção corresponde a S. Miguel, sendo por isso mais sóbria, estruturada e austera.




A segunda parte corresponde a Lisboa, as cores tornam-se mais claras e os tecidos e as formas começam a ganhar alguma leveza, modernidade e sofisticação.




Na última parte do desfile - que pertence ao período em que a Marquesa viveu em Paris - assiste-se a uma explosão de cor, uma exuberância-chique muito feminina e cosmopolita, repleta de um romantismo quase exótico.




Uma colecção deslumbrante, moderna e muito actual – que na minha opinião pessoal, encontra-se entre as melhores que desfilaram nesta 32º edição da Moda Lisboa.





Moda Lisboa - Especial:

"Bem sabeis que a humanidade pode sobreviver sem ciência, sem pão, mas sem o Belo não" - Fiodor Dostoievsky

Ricardo Dourado

A crise anda aí e não vale a pena ignora-la. Para o comprovar, Ricardo Dourado recuou umas décadas - mais precisamente até ao final dos anos 30, onde a grande depressão "tomou conta do mundo", alterando os seus hábitos e costumes.






Marcada por um regresso ao pragmatismo no vestuário feminino, mas sem com isso perder criatividade ou sofisticação, esta colecção divide-se em 3 partes: Uma primeira parte com materiais mais ricos e justos ao corpo, uma segunda mais oversized com apontamentos muito femininos como as rendas, e por fim, uma terceira onde a estrutura é trocada por peças longas, super femininas e fluídas.



Pautado por peças elegantes, modernas e bonitas - este desfile primou pela sofisticação simples onde "less is always more".